TEXTO II
Quais são as sofisticadas armas cibernéticas da
guerra do século 21?
Eles não sabiam o que estava acontecendo.
O equipamento quebrava constantemente, mas a
causa era um mistério. Peças eram substituídas, mas o
problema ocorria novamente.
Passou-se um ano antes que descobrissem que
o problema era um vírus chamado Stuxnet, que
havia infectado os sistemas eletrônicos da planta de
enriquecimento de urânio em Natanz, no Irã.
Esta era a razão por trás dos diversos erros que
atrasaram e prejudicaram o programa nuclear do país.
O descobrimento do Stuxnet, em 2010, tornou claro que
os crimes cibernéticos podiam ir além da espionagem
e do roubo de dados pessoais com fins econômicos:
confirmou que era possível causar prejuízos físicos com
uma motivação política.
“Foi a exploração bem-sucedida do ciberespaço com o
objetivo de controlar uma série de processos industriais
para destruí-los remotamente, sem que ocorresse
nenhum tipo de confronto militar”, diz Lior Tabansky,
especialista em cibersegurança estratégica da
Universidade Yuval Ne’eman, em Israel, na publicação
Cyber Security Review.
“Isso demonstrou quão sofisticadas e precisas podem
ser as armas cibernéticas.”E difícil saber com certeza qual foi a origem desse ataque.
Mas, segundo um artigo do Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos Estados
Unidos, suspeita-se que uma equipe de especialistas
israelenses e americanos esteja por trás do incidente.
Essa opinião é compartilhada por diversos especialistas
em segurança cibernética.
Ciberterrorismo
Esse tipo de incidente, que afeta o funcionamento de
equipamentos e infraestruturas, é uma das modalidades
de ciberataques mais perigosa. Nos últimos anos, foram
registrados vários ataques.
Suas consequências vão além do plano físico.
“Além do prejuízo concreto, esse tipo de evento tem um
efeito secundário muito importante: o psicológico. A isso
se referem os termos ciberterrorismo e ciberguerra”,
disse à BBC Graham Fairclough, especialista do Centro
de Cibersegurança da Universidade de Oxford, no Reino
Unido.
“Eles geram medo e ansiedade. Tem-se a sensação de
que alguém pode fazer algo com você e que você não
tem a possibilidade de se proteger. O alcance também
é importante, já que no ciberespaço a distância física
não é relevante. Você pode ser uma vítima mesmo que
esteja longe do ponto de origem do ataque.”
Neste contexto, o indivíduo perde confiança no sistema
e em sua habilidade para protegê-lo.
“Tudo o que funcione com softwares pode ser utilizado
para causar prejuízo, seja algo simples, como uma
geladeira, ou muito mais complexo. A chave é o código,
que pode ser desenvolvido ou comprado de criminosos
na internet. E o equipamento físico, ou hardware,
também pode ser comprado com facilidade na rede”,
afirma Fairclough.
[...]
VELANDIA, Karenina. BBC Brasil. Disponível em:
<https://bbc.in/2GDLkke>. Acesso em: 5 abr. 2018
(Fragmento adaptado).