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Leia atentamente os trechos a seguir.

“A rua em que nasci se chamava lindamente: Rua das Virgens. Em 55 pregaram na rua o meu nome. Escrevi desaforo, xinguei meio mundo. Mas a placa ficou lá. E na casa ainda me botam uma outra que diz que ali nasci eu, a 30 de dezembro de 1898. Conclusão: sou o único rio-grandense vivo que não pode negar a idade.”

“Sou da geração de Lampião e Luís Carlos Prestes. Também da de seis acadêmicos da Brasileira de Letras. Eu na academia? Pra quê? O Afrânio Peixoto dizia que eu era um provinciano profissional e incurável. Não sou nem federal, nem estadual. Sou municipal. Fico por aqui. E quando saio sou como pombo-correio. Volto certinho pro meu canto. Daqui, só pro Alecrim (bairro do cemitério de Natal).”

Natal é a terra do escritor, professor famoso e autor de célebre frase: “O melhor do Brasil é o brasileiro” e, também, dos trechos e anteriormente citados. Considerado um dos maiores folcloristas nacionais, trata-se de:

“Em 1942, época da Segunda Guerra Mundial, a posição geográfica de Natal foi classificada como ‘um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo’ pelo Departamento de Guerra dos EUA. Na época as praias de Natal eram frequentadas somente por pescadores e a população ribeirinha. Os militares americanos tornaram algumas praias famosas, como a Praia dos Artistas, que recebeu esse nome por causa das muitas personalidades que eram vistas no lugar.”

(Disponível em: https://vivernatal.wordpress.com/2014/01/02/11-curiosidades-de-natal-rn-que-poucos-sabem/.)

Os demais pontos, considerados também estratégicos na avaliação norte-americana, foram:

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A Guerra da Tríplice Aliança, mais conhecida como Guerra do Paraguai (1864–1870), envolveu os governos de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, tendo sido uma das mais sangrentas do século XIX. No contexto do governo imperial brasileiro, o conflito explicitou ainda mais as contradições da escravidão, como ironiza o texto da charge.
De acordo com a charge, uma das contradições evidenciadas pela referida guerra foi:
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Imagine-se olhando para um mapa da Europa, sem nenhuma indicação nele, com exceção da cidade de Viena, perto do centro, e, ao norte dela, a cidade de Berlim. Onde você localizaria as cidades de Praga e Budapeste? Para a maioria das pessoas que nasceram depois da Segunda Guerra Mundial, ambas as cidades pertencem ao leste Europeu, enquanto Viena pertence ao oeste e, consequentemente, tanto Praga como Budapeste deveriam ser localizadas a leste de Viena. Mas olhe agora o mapa da Europa e veja a localização real dessas duas cidades. Budapeste, com certeza, está afastada ao leste, bem abaixo de Viena, ao longo do Danúbio. Mas Praga está, na verdade, mais a oeste do que Viena.
Adaptado de MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis: Vozes,2003.

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A partir do trecho destacado do texto base e do exercício hipotético proposto nos anos de 1960 pelo psicólogo social Serge Moscovici, observa-se que certa subjetividade afetou a interpretação e a nomeação do espaço europeu.
Essa subjetividade é explicada por:
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No raiar do século XIX, a persistência de numerosos grupos de índios Botocudos numa área cada vez mais valorizada era um dos principais desafios para o império luso-brasileiro. As atividades de mineração nas Gerais, a transferência da capital da Bahia para o Rio de Janeiro em 1763 e, ainda, a vinda da Corte para esta localidade em 1808 consolidavam novo centro de poder. Aguçava-se o atrito com as tribos indígenas. Corresponde a esse momento a Guerra de 1808-1824, decretada pelas autoridades luso-brasileiras contra os Botocudos. Essa conflagração ocorreu no Espírito Santo e Minas Gerais, com reflexos na Bahia. No contexto dessa guerra, o governador capixaba enviou dois presentes a D. João: uma mostra de café finalmente transportado pelo rio Doce e uma “Selvagem Botocuda”. O príncipe regente agradeceu o café, felicitou o êxito no combate aos “bárbaros”, mas condenou “atos violentos e despóticos”, o que indica que o estado físico da índia devia ser deplorável.
Adaptado de MOREL, M. A saga dos Botocudos: guerra, imagens e resistência indígena. São Paulo: Hucitec,2018.

O episódio relatado no texto descreve um dos muitos enfrentamentos entre populações indígenas e autoridades governamentais no Brasil. Nele, o príncipe regente usa a nomeação “bárbaro”, que indica uma compreensão distorcida dos atributos constitutivos dos indígenas. Na descrição do episódio de perseguição aos Botocudos, o uso do termo “bárbaro” possibilitou legitimar uma conjuntura de: