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Uma professora de Filosofia do Ensino Médio solicitou que seus alunos desenvolvessem pesquisa, em sala de aula, sobre questões éticas contemporâneas a partir de artigos filosófico-científicos disponíveis na Internet. Durante a atividade, os alunos observaram que grande parte dos artigos atuais está publicada em revistas que permitem o acesso ao conteúdo apenas mediante pagamento. A professora, então, aproveitou esse cenário para motivá-los a refletir sobre uma das características centrais em Ética, a partir da seguinte situação:

Uma plataforma que disponibiliza textos na Internet, entre os quais muitos não possuem autorização de publicação, é motivo de debate entre os acadêmicos. Alguns a consideram um exemplo da ideia de educação universal e democratização do conhecimento. Já outros a veem como um site ilegal, uma vez que burla as regras de direitos autorais.

Nesse contexto, sob a perspectiva da ética utilitarista, a reflexão apresentada pela professora constitui o princípio
TEXTO 1

A criança que acaba de nascer não conhece nem objetos determinados nem propriedades determinadas de objeto nenhum; mas, no dia em que aplicarem na sua frente uma propriedade a um objeto, um epíteto a um substantivo, compreenderá imediatamente o que isso quer dizer. A relação do atributo com o sujeito é, portanto, apreendida por ela naturalmente. E o mesmo poderia ser dito da relação geral que o verbo exprime, relação tão imediatamente concebida pelo espírito que a linguagem pode subentendê-la, como acontece nas línguas rudimentares que não têm verbo. A inteligência faz portanto naturalmente uso das relações de equivalente com equivalente, de conteúdo com continente, de causa com efeito, etc., implicadas em toda frase na qual há um sujeito, um atributo, um verbo expresso ou subentendido.

BERGSON, H. A evolução criadora. Tradução: Bento Prado Neto. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

TEXTO 2

Em contraste com a estrutura sujeito-verbo-objeto, a linguagem reomodal de Ubu-ntu aceita o verbo como o ponto de partida. Em nossa visão, o verbo não apenas pressupõe, mas é também materialização/ incorporação/personificação do agente. A atividade ou a ação do verbo é menos o efeito de determinada doença, inseparável do agente. O agente existente, presente numa tensão contínua é, em si mesmo, em muitos momentos cedidos, a materialização da potencialidade para uma variedade infinita de uma atividade incessante de uma fusão e convergência. Para usar uma metáfora biológica, nós podemos dizer que o presente continuamente tenso é como um infinito encadeamento alternado de bebês, jovens e adultos todos perpetuamente conectados a suas mães através de seus cordões umbilicais.

RAMOSE, M. B. African philosophy through ubuntu. Tradução: Arnaldo Vasconcellos. Harare: Mond Books, 1999 (adaptado).

Considerando que os textos apresentam diferentes compreensões sobre a relação entre linguagem e ontologia, é correto afirmar que, para Bergson, a linguagem
Em uma aula sobre Filosofia Africana no Ensino Médio, a professora explicou que um dos elementos importantes para compreender a relação com o mundo conforme algumas tradições africanas é a “cosmopercepção”, em vez de “cosmovisão”. Para isso, expôs a crítica apresentada a seguir, da epistemóloga nigeriana Oyeronké Oyewumi.

O termo “cosmovisão”, que é usado no Ocidente para resumir a lógica cultural de uma sociedade, capta o privilégio ocidental do visual. É eurocêntrico usá-lo para descrever culturas que podem privilegiar outros sentidos. Portanto, “cosmovisão” só será aplicada para descrever o sentido cultural ocidental, e “cosmopercepção” será usada ao descrever os povos iorubás ou outras culturas que podem privilegiar sentidos que não sejam o visual ou, até mesmo, uma combinação de sentidos.

OYEWUMI, O. A invenção das mulheres. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021 (adaptado).

Em seguida, um dos estudantes interpelou a professora, pois não entendeu como a mudança de termo influenciaria no entendimento dessa filosofia. Com isso, a professora apresentou um trecho da música Pedagoginga, de Thiago Elniño, para explicar como o universo iorubá, muito presente em músicas das populações negras, parte de uma combinação de sentidos, que não somente a visão, para a compreensão do mundo.
Minha percepção de mundo/ Diz que nós mesmo não vendo nada em volta/ Nunca estamos sós/ Faço minha oração, peço força pro meu guia/ E que ele não me abandone nas lutas do dia a dia

ELNIÑO, T. Pedagoginga. Álbum: A rotina do pombo. 2017.

Com relação ao contexto apresentado, é correto afirmar que a estratégia utilizada pela professora foi
Um professor recém-formado na Licenciatura em Filosofia iniciará sua vida docente ministrando aulas para o Ensino Médio. Ele inicia o planejamento do conteúdo programático que será ofertado na 1ª série e, entre os temas que irão compor seu plano de aula, está a Lógica.

Nessa situação, a fim de promover uma discussão sobre temas da Lógica com os estudantes, o professor de Filosofia deverá abordar, necessariamente,
O ensinamento e a concentração antropocêntrica que orientou e sustentou o processo de colonização das Américas trouxe esse pensamento branco para ocupar as suas paisagens, imprimiu nestas a visão de uma platitude, a visão de um lugar plano, onde o saque de toda riqueza, de toda fartura da natureza se constitui no projeto civilizatório, no projeto de conquista, no projeto de consolidação de um tipo de sociedade. Um tipo de sociedade que nós involuntariamente nos encaixamos, como essa sociedade brasileira que constituímos.

KRENAK, A. apud WERÁ, K. (Org.). Ailton Krenak. Coleção Tembetá. Rio de Janeiro: Azougue, 2017 (adaptado).

Uma professora de Filosofia do Ensino Médio que propuser à turma uma atividade a partir do texto apresentado poderá solicitar aos estudantes, para melhor compreensão do tema, a realização de uma pesquisa sobre qual aspecto da cultura dos povos originários?